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Postado por cepcos
A sexualidade mudou…Sexualidade no séc. XXI

A-Sexualidade-na-Terceira-IdadeO sexo, há algumas décadas, era algo ligado estritamente ao fórum íntimo/privado. Qualquer expressão pública de afeto era reprimida, o pudor era elevado. A sexualidade mudou! Esta constatação não é novidade para ninguém, temos visto e vivido diariamente essas transformações. Muitos devem estar pensando neste exato momento: “mudou para muito pior”. Fato é que muitas das mudanças foram negativas, mas por outro lado também obtivemos transformações boas. Vamos refletir um pouco sobre estas instigantes e novas formas de ver essa “nova” sexualidade.

Mudanças negativas:

  • Banalização da sexualidade – Vemos beijos ardentes, amassos e até mesmo demonstrações mais explícitas de sexualidade, nas ruas, nas escolas, nas casas e principalmente as mídia. Não existem mais horários e idades apropriados, a sexualidade é exposta a qualquer hora e de maneira um tanto quanto vulgar, destituída de afeto;
  • Ditadura do sexo – Atualmente, se passarmos na frente de uma banca de jornal, vemos que grande parte das revistas femininas e outras tantas masculinas focam as matérias da vida sexual na frequência sexual (tem que ser alta) e na quantidade de orgasmos (tem que ocorrer toda vez e, no caso das mulheres, de preferência ser múltiplo). Com reportagens deste tipo cada vez mais frequentes, as mulheres e os homens passaram a cobrar mais de si mesmos e de seus(suas) parceiros(as). E, uma vez que não atingem esses parâmetros impostos de forma sutil – ou talvez nem tanto – pela mídia, frustram-se, e passam a se cobrar ainda mais, decepcionando-se novamente, resultando em um grande círculo vicioso de insatisfações;
  • Precocidade da sexualidade – Vemos cada vez mais meninos e meninas iniciando suas vidas sexuais mais cedo. De acordo com diversas pesquisas recentes, a idade média em que os jovens tem sua primeira relação sexual é de 14,8 anos, e vem baixando a cada ano. Além disso, a cada 18 minutos nasce um bebê, filho de uma “criança” entre 10 e 14 anos, e 21,3% dos nascimentos são de mães com idade entre 10 e 19 anos.

Mudanças positivas:

  • Podemos falar de sexo – Cada vez mais o tabu em relação à sexualidade vem diminuindo. Agora podemos conversar, tirar dúvidas (como aqui no Sexplicando), aprender mais sobre os temas referentes à sexualidade e desta maneira termos a chance de ter uma vida sexual prazerosa e saudável;
  • Temos mais informações de sexualidade – desta maneira podemos nos prevenir mais contra as doenças sexualmente transmissíveis e contra uma gravidez indesejada, e sermos responsáveis pelo que queremos ou não para nossa vida sexual;
  • Podemos demonstrar prazer – Agora também as mulheres tem direito ao prazer sexual. Elas podem também escolher se querem procriar, e esta não é mais uma condição imposta. Não é mais somente a “mulher da rua – prostituta” que pode ter ou demonstrar prazer. E também em relação aos homens, eles podem dividir a “responsabilidade” de sentir e dar prazer;
  • Autoconhecimento corporal – Cada vez mais vamos constatando a importância do autoconhecimento corporal, através por exemplo da masturbação (feminina ou masculina), uma forma de conhecer melhor seus órgãos genitais, de saber onde, como e com qual intensidade se tem mais prazer e poder dividir, se quiser, esta valiosa informação com o(a) parceiro(a);
  • Exploração do corpo como um todo – Ainda muito presente, porém diminuindo, é a genitalização da relação sexual, ou seja, usar como única fonte de prazer os órgãos genitais. As pessoas estão percebendo e aprendendo que o corpo inteiro pode ser uma grande zona erógena (áreas de prazer), cada um tem as suas, que às vezes também pode mudar. Desta maneira, a única forma de se conhecer é explorar.

Bom, acredito que estas sejam as principais mudanças que me ocorrem, que são mais evidentes. Desta maneira, reforço o que escrevi logo no início: a sexualidade mudou, algumas transformações são boas, outras nem tanto. O que fazemos com isso? Vamos aproveitar as mudanças boas, entrar mais em contato com elas, explorá-las! Com relação às ruins, vamos aos poucos tentando mudá-las. Afinal de contas, as mudanças não acontecem de uma hora para outra.

Devemos refletir: Como eu me comporto com meu(minha) parceiro(a) em público? E no ambiente privado, em casa? O que eu falo sobre relacionamento, sexualidade, sexo? O que eu falo sobre a mídia? O que eu ensino ou “des-ensino”? E o mais importante: eu estou sendo coerente? As minhas falas condizem com minhas ações/atitudes??

Afinal de contas, se cada um fizer a sua parte, vamos construindo um mundo melhor, não é mesmo?!

Artigo criado pela psicóloga e terapeuta sexual Paula de Montille Napolitano