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Postado por cepcos
Pegar, ficar, namorar…

testes-9412Parece que cada vez mais as pessoas estão aumentando o número de rotulações para contatos afetivos. Um dia desses, dando aula para uma turma de jovens, eles me ensinaram mais uma “fase” para os relacionamentos: o “pegar”.

A terminologia não é nova, muitas vezes era usado de forma mais vulgar, principalmente pelos homens, para se referir a “ficar com alguém”. Agora o termo é usado para uma etapa que acontece antes do “ficar”. O pegar é usado por eles para descrever um relacionamento apenas físico (beijar, passar a mão, e afins) com uma pessoa que você não conhece, ou acabou de conhecer, normalmente em baladas, festas e matines (para os adolescentes mais novos) e que geralmente dura somente alguns instantes.

Já o “ficar”, que já é uma forma recente de se relacionar, passa a ser um contato em que você conhece a pessoa, e possivelmente até fique algumas vezes, mas não envolve nenhum compromisso. Nada mais é do que uma forma de experimentar, tentar e conhecer uma pessoa que lhe pareceu interessante, qualquer que seja o motivo. Uma das minhas turmas usou uma definição para a hora em que o “ficar” vira um namoro, que eu achei muito interessante, eque é o momento em que deixa de haver apenas uma atração física e passa a ter também uma atração emocional! Neste momento, segundo eles, passaria-se para o namoro, ou seja, um relacionamento já com algum compromisso afetivo envolvido.

Existe também o “estar ficando” que é antes do namoro, quase como se fosse um teste para o namoro. Envolve um gostar que está testando para ver se vale a pena namorar. Uma questão importante em qualquer uma dessas “fases” é cuidar para não magoar ou decepcionar o outro. Então é importante que a intenção esteja clara. Existem muitas pessoas que querem mesmo só “ficar” ou “pegar”, o que não é problema se acharem outra pessoa que também quer apenas isso.

Todos nós estamos percebendo que, cada vez mais, existe uma banalização da sexualidade, dos relacionamentos, que os vínculos estão mais superficiais, frágeis e vazios. Muitos pais me perguntam em palestras ou no consultório o por quê disso tudo.

Os motivos podem ser vários:

  • a banalização da sexualidade, dos corpos expostos, o que deveria ser intimo é exposto;
  • a diminuição de limites: muitos jovens fazem o que quiserem, na hora que quiserem, com quem quiserem;
  • nós estamos mais individualistas, pensando apenas em nós mesmos, e em nossas vontades, e acabamos fugindo das pessoas que não nos satisfazem;
  • também em função da diminuição de limites, surge uma intolerância à frustração, que gera uma dificuldade em persistir, em construir algo em conjunto; entre outros.

Outra influencia que penso ser grande é o exemplo, ou seja, como nós, adultos, temos demonstrado a importância dos relacionamentos. O que eles tem visto, ouvido ou sentido? Que exemplo verbal e não-verbal (gestos, comportamentos, expressões faciais e corporais) temos dado? Será que não estamos influenciando negativamente os nossos adolescentes e jovens adultos (afinal, este texto não trata apenas das experiências dos adolescentes, mas também dos jovens adultos, e dos adultos que estão “voltando ao mercado” em função de algum término de relação ou separação) a se relacionarem desta forma vazia? Onde está o carinho, o afeto, o amor, a demonstração de afeição? Nossa mente, coração e alma necessitam deles! Vamos procurar?

Artigo criado pela psicóloga e terapeuta sexual Paula de Montille Napolitano