Participe do grupo CEPCoS e compartilhe experiências com pessoas de todo o Brasil.
Visitar este grupo

Blog

Postado por cepcos
Será que vou falhar?

O “Andar com fé eu vou… que a fé não costuma falhar”.
Se este trecho da música de Gilberto Gil fosse um modo de vida de todos nós, pelo menos seríamos menos manipulados e menos inseguros. A maioria das pessoas que conhecemos dizem ter fé. Fé não no sentido religioso apenas, estamos falando no ato de crer. Mas crer em quê? Geralmente em tudo o que está fora de si, menos em si mesmo.

Uma boa parte da população masculina, com o surgimento do Viagra em 1998, passou realmente a acreditar que a partir daquele momento estava resolvido um dos maiores problemas sexuais masculinos, gerador de toda a angústia que muitos experimentam na hora do rala-e-rola, ou seja, nunca mais os homens se preocupariam com a pergunta: será que vou falhar?

É evidente que, para quem já passou por isso, falhar na hora H – e este H com certeza se refere a ser homem – é algo extremamente ameaçador para a identidade de um ser que foi criado desde pequeno para ganhar, vencer, triunfar. Numa cultura machista como a nossa, ser homem significa (sempre) ser o melhor, ser viril, imune a fragilidades, inseguranças e angústias.
Para atender a este perfil, a este protótipo de macho, se faz necessário o uso de uma poção mágica, algo que garanta a manutenção desta ideologia.

Nos últimos anos, tem aumentado assustadoramente o uso do Viagra entre a população masculina, principalmente entre os jovens, pois a juventude é uma fase de (re-) descobertas e as incertezas são comuns, principalmente nesta fase.

Exatamente por viverem esta condição, os jovens se sentem despreparados para o exercício da sexualidade, uma vez que não existe um trabalho de educação sexual para eles, as chances de não corresponder ao modelo de macho que lhes é imposto são muito grandes. Então, passam a acreditar que na hora da relação sexual necessitam de algo que garanta o sucesso e elimine a possibilidade de fracasso: o Viagra.

Devemos deixar claro que todo o problema de falhar na hora H se resume na preocupação de falhar, ou seja, se o homem for para uma relação sexual com o pensamento de que pode falhar, possivelmente vai falhar.
A ansiedade por medo de desempenho é a causa número 1 dos problemas relacionados à disfunção erétil (falta ou dificuldade de ereção). O que significa dizer que, a maioria dos casos de disfunção erétil, 70% dos casos segundo a Sociedade Brasileira de Estudos em Sexualidade Humana, é de origem psicológica, ocasionada por problemas emocionais como a ansiedade.

O que é necessário fazer? Remediar apenas não resolve. O primeiro passo é consultar um médico urologista, para que este profissional avalie a condição física do indivíduo que apresenta disfunção erétil. Se por acaso não for encontrada nenhuma explicação médica o segundo passo é consultar um terapeuta sexual.

O terapeuta sexual é um profissional teoricamente preparado para lidar com disfunções e distúrbios sexuais. Procurar um psicólogo muitas vezes ajuda, mas se este profissional não for um especialista da área da sexualidade, o tratamento não terá êxito.

Lembre-se: a automedicação não produz efeitos terapêuticos. Geralmente, as pessoas que se automedicam desenvolvem, com o passar do tempo, uma dependência psicológica do remédio, além dos danos à própria saúde ocasionados pelos efeitos colaterais da medicação.

Artigo feito pelo psicólogo Paulo Tessarioli