Participe do grupo CEPCoS e compartilhe experiências com pessoas de todo o Brasil.
Visitar este grupo

Blog

Postado por cepcos
Sexualidade na Terceira Idade

atividade_terceiraidade2 reduzidaAproveitando o tema “Amor na terceira idade” sobre o qual eu irei falar no programa Show Mais, no canal TV Mais (14 na Net) na próxima terça-feira 29/10, resolvi falar hoje sobre a sexualidade nesta fase da vida. Muitos preconceitos e mitos ainda pairam sobre a sexualidade na terceira idade. Não sou adepta ao termo “melhor idade” costumeiramente usado, pois acredito que todas as idades são boas e também tem suas questões mais difíceis. Meu intuito com este post não é focar as mudanças e dificuldades fisiológicas decorrentes dessa fase, mas sim nas possibilidades.

Ainda hoje se percebe jovens, adultos e inclusive os idosos com visões negativas sobre a sexualidade na terceira idade, como se nessa fase não existisse mais sexualidade, que fosse algo impensável e que se existe, seria somente algum tipo de safadeza. Estas maneiras de pensar são errôneas. A sexualidade não tem idade. Desejo, prazer, tesão, fantasia, toque, intimidade e autoconhecimento corporal não tem idade nem prazo de validade.

Sim é verdade, as coisas na sexualidade ficam diferentes, assim como a vida social, afetiva, profissional, etc. Cada fase da vida é cercada por transformações, e isso não faz com que elas precisem ser eliminadas, ou seja, não é porque a jornada de trabalho nesta fase diminua, mude, que ela precisa automaticamente ser eliminada por completo. Não é porque fisicamente o corpo tenha sua mobilidade diminuída, que devamos parar de nos movimentar. Na sexualidade o mesmo raciocínio pode ser usado: não é porque os hormônios se alteram, porque o homem leva mais tempo para ter uma ereção, porque sua ereção não é tão rígida como costumava ser, ou porque a vagina da mulher diminuiu sua lubrificação, que o sexo deva parar de ser explorado e bem vivido.

Desta maneira, a nível emocional, algumas crenças podem e devem ser repensadas. São elas:

  • Sexualidade tem “data de validade” – isso não é verdade, claro que ter uma boa saúde é muito importante, pois algumas doenças, como, por exemplo, a hipertensão e a diabetes, podem influenciar negativamente na vivência da sexualidade, assim como vários tipos de medicamentos;
  •  Sexualidade apenas para reprodução – a reprodução é uma das possibilidades da sexualidade. O prazer e a realização são outras possibilidades importantíssimas;
  •  Sexualidade voltada apenas para os genitais ou a penetração – Lembremos aqui que a penetração é, também, apenas uma das formas de relação sexual. As preliminares, as sensações corporais, as zonas erógenas (áreas de prazer no corpo), a intimidade, a criatividade, o toque, as carícias podem ser tão ou mais prazerosas do que a penetração;
  • Sexualidade e corpo jovem e sarado – De novo, a juventude e seu corpo sarado são uma forma de atratividade, mas outras formas de atratividade como as comentadas acima devem ser mais exploradas e aproveitadas;

Bom, já deu para perceber que a terceira idade traz sim muitas transformações, mas o que é mais significativo é a forma como interpretaremos essas transformações. Será como uma perda, um luto, uma desistência? Ou como uma mudança, uma possibilidade, um desafio? Mais importante do que a quantidade de anos que se completa, é a forma como esses anos foram entendidos e conduzidos.

É importante lembrar que a forma como uma pessoa viveu e conviveu consigo mesma e com seu corpo vai influenciar direita ou indiretamente em sua vida futura. O acompanhamento com o ginecologista e o urologista se faz necessário.

Um alerta extremamente importante é de viver uma sexualidade segura e responsável, pois as pesquisas tem mostrado um número alto e crescente de idosos contraindo o HIV e outras DST´s (doença sexualmente transmissível). Isto tem se dado devido às relações sexuais sem o uso de preservativos, já que quando eram jovens, o vírus HIV não “existia”, e o uso da camisinha também não era comum. Além disso, muitos dos idosos tem receio de usar preservativo, já que muitos tem uma dificuldade na ereção, e então temem perder a ereção no momento da colocação do preservativo.

Seguem algumas dicas que podem ajudar na sexualidade do idoso:

  • Tentar manter uma regularidade sexual;
  • Entender sobre as mudanças fisiológicas decorrentes do processo de envelhecimento e suas possíveis adaptações;
  • Usar a imaginação, criatividade e até mesmo fantasias sexuais;
  • Ter uma rotina sem muito estresse e ansiedade;
  • Fazer atividades físicas regulares;
  • Fazer acompanhamento da saúde com médicos, especialmente com ginecologistas e urologistas;
  • Utilizar preliminares, masturbação, carícias, autoconhecimento corporal e estimular novas sensações.
  • No dia-a-dia não esquecer-se do poder da demonstração de afeto, como: um beijo; abraço; carinho e uma boa comunicação.

Afinal de contas, a sexualidade é uma parte boa da vida, de toda a vida, e pode ser vivida de maneira saudável, prazerosa e que traga felicidade! Lembre-se sempre que o prazer pode ser vivido com experiências distintas e ainda assim ser muito prazeroso.

Artigo criado pela psicóloga e terapeuta sexual Paula de Montille Napolitano